o olhar do designer

O tema recorrente sobre o “olhar” do designer torna-se intrigante com o tempo. Acredita-se que somos multifacetados, exigentes e que vemos coisas onde não exatamente ela estão. Grande parte disso é verdade, e aí está o nosso “plus”. Mas ser designer vai muito além disso.

O nosso olhar enxerga no “simples” da vida algo que deve ser respeitado. As pesquisas para a elaboração de um projeto vão desde seu entorno, a história do que e para quem se vai projetar, entre tantas outras coisas. O respeito pelo que já existe e o que deve ser encarado com as mudanças não são somente requisitos solicitados pelo cliente. Somos nós designers que temos como dever orientá-lo sobre essas mudanças, pois temos condições de ver o quão mudará uma marca ou sua postura diante das mudanças. O cliente nem sempre tem essa percepção ou não consegue enxergar que a mudança em seu projeto existente pode levar até anos para se concretizar.

O óbvio na maioria das vezes não nos interessa, mas a realidade e as mudanças sim. O respeito por uma marca, pela história de um produto e pela sociedade que o consumirá sempre estará em nossas observações, pois projetamos não para nós (portfólio), mas para quem consumirá – o público final.

A pesquisa e o repertório são nossos grandes parceiros nas criações e planejamento nos projetos. Ser designer e não ser pesquisador invoca a qualidade de baixa percepção não só do trabalho a ser realizado quanto da própria profissão em que se está.

design essencial

Se pararmos, por instantes, a observar os sinais da nossa civilização, veremos que as mudanças de paradigma real estão sendo sinalizadas por toda parte. Mudanças climáticas, escassez de recursos materiais x aumento do consumo e da população (o dobro de 50 anos atrás), difusão da visão planetária-coletiva são alguns dos sintomas que nos convidam a repensar os modelos da sociedade.

Um momento parecido, em outro contexto histórico-filosófico, mas tão oportuno quanto, foi quando ocorreu a Revolução Industrial, que mudou, definitiva e gradativamente, as relações sociais, com o trabalho e o modo de produção, até então artesanal e caracterizado por atividades de ofícios, quase sempre de tradição familiar.

Aquele momento foi caracterizado pela intensificação do processo de urbanização, o qual aumentou a sofisticação da sociedade e acelerou a construção da cultura. O avanço tecnológico, a caracterização da economia como ciência e o surgimento de novas profissões foram alguns dos sinais e das mudanças que caracterizaram aquele ponto de inflexão social e produtiva, as quais foram necessárias para impulsionar a eficiência da produção então demandada e que causaram profundos impactos nos cenários econômicos e sociais desde então.

No caminho da história e até o século XIX os inventos tecnológicos contribuíram para a diminuição das demandas coletivas e para a melhoria na qualidade de vida da sociedade dominante na época. No século XX, no entanto, a tecnologia já supria as demandas de conforto da coletividade e a sociedade de consumo passa a trabalhar para aumentar a demanda individual. Nesse contexto se estabelece o designer, que passou a inventar as coisas para desejos até então inimagináveis. Daí se sustenta a imagem do profissional de design, ainda hoje, como supérfluo, a serviço da elite e como um dos grandes responsáveis pelo aumento dos resíduos do planeta, em função dos produtos descartáveis que projetam.

Mas o mercado alerta, pela primeira vez na segunda metade do século XX, os limites do crescimento impostos por um planeta finito. Desde a Rio 92 – no Brasil! – se consolida o conceito de desenvolvimento sustentável, o qual passa a pautar as agendas de planejamento produtivo de todo o mundo. Não foi à toa…

Neste país, reconhecido pela criatividade e inventividade de sua gente, os profissionais de design ainda se miram no exemplo do velho continente, o qual inventou o supérfluo DEPOIS de ter as necessidades coletivas e essenciais de sua população atendidas.

Vai aqui o convite para olhar a riqueza sob nossos pés e sobre o que é possível para a melhoria do bem-estar da nossa gente.

O mercado interno brasileiro, assim como a nossa natureza, é megadiverso. Nossa sociedade é formada por pessoas de diferentes classes sociais, níveis de formação profissional, estágios de desenvolvimento, cores, tamanhos e acessos. Há clima frio e seco e úmido e quente; indústrias da mais alta tecnologia e qualificação técnica e comunidades extrativistas com produção artesanal; do mais pobre ao mais rico, do mais simples ao mais sofisticado. E somos referência em qualidade de vida! Muitas sociedades se tornaram “cinzas” e desaprenderam como se divertir.

Vivemos em um mundo com mais pessoas e recursos limitados, não há mais espaço para o supérfluo de alguns em detrimento do que é essencial para todos. Estamos em um tempo de ampliar acessos, incluir pessoas e diminuir as coisas, promovendo relações simbióticas para o uso dos recursos e dos espaços.

Se o momento é agora, o lugar é aqui. As oportunidades que se descortinam em um cenário de sustentabilidade futura, sobre o qual todo o mundo se debruça em busca de soluções atualmente, abrem espaço para um novo cliente e uma nova atuação do designer, sendo que a nossa sociedade é um laboratório que sintetiza diversas realidades semelhantes. A solução para um nicho da nossa sociedade certamente caberá para outro país com as mesmas características.

Observar as oportunidades que a nossa população, nosso meio ambiente, nossa forma de viver etc. oferecem à criatividade é um novo horizonte. É preciso rever o atual paradigma e tornar o design benefício de todos e não mais privilegio de alguns.

 

por Fernanda Bocorny Messias via designbrasil.org.br

 

Design thinking e a inovação para empresas que buscam crescimento notável no mercado

Inovação é um assunto recorrente no mercado desde o final dos anos 90. O design, para empresas que o procuram, têm sido uma ferramenta não apenas de solução, mas de investigação de novas possibilidades de mercado.

A Apple é um grande exemplo disso “Você não sacrifica a experiência pelo crescimento; você impulsiona o crescimento a partir da qualidade da experiência.” (JOBS, S. 2009).

Reconhecer onde se encontra um problema é o primeiro passo, mas como compreender onde ele nasceu e o que a empresa pode fazer para não apenas ressignificar o que havia antes de o problema acontecer?

O quadro abaixo mostra o pensamento do design thinking:

Não basta entender o processo como solução de problemas e sim como ele atuará desejavelmente para as pessoas, se tecnologicamente é viável, inclusive para os negócios.

Há hoje uma nova nomeação como “Design Service” onde num exemplo prático empresas e governos articulam o aumento de hospitais, quando se o investimento em qualidade de vida pode modificar o quadro recorrente de doenças que levam os cidadãos a tratarem-se de problemas de saúde que podem ser evitados com melhorias na vida diária.

O design faz pensar, não procura soluções óbvias, aí está o seu diferencial.

As empresas que perceberem que não basta planejamento e estratégia se destacarão no mercado inovando suas marcas, seus produtos proporcionando upgrades pessoais e consequentemente financeiros.

O design foi feito para pessoas, e estas estão prontas para atuar na sociedade no momento em que são atendidas em suas necessidades, assim as empresas se reposicionam e contribuem para que o fator humano seja cada vez mais um diferencial em serviços e marcas.

manual de identidade visual ou brand book?

Os antiquados manuais de logomarca estão mais robustos. Eles ganharam novo nome e agora falam de estratégia

Entre as diversas ferramentas para gestão de marca, o Brand Book tem servido como um instrumento importante para determinar os caminhos estratégicos de uma empresa. Esses livros desenvolvidos por agências de branding e design apresentam a marca como um organismo vivo, com personalidade, linguagem e atributos.

O Brand Book representa uma evolução do tradicional Manual de Utilização de Logomarca, pois além de informar características técnicas, indica as táticas a serem seguidas pela companhia. A Brastemp, por exemplo, ganhou dos livros desenvolvidos pela Tátil Design (foto à esquerda).

Um conta sobre a evolução estratégica da marca, detalhando todo o histórico da Brastemp. E outro fala sobre os ingredientes que irão compor a linguagem visual e verbal da empresa. “Em um livro mostramos a evolução da marca, a essência, os valores consolidados, a parte estratégica, os atributos que devem ser trabalhados e apresentamos o novo conceito – seja autêntico”, explica Roberta Gamboa, diretora de criação da Tátil Design. “O outro diz como a marca vai se comunicar através de seus pilares de relacionamento – gastronomia, moda, design e arquitetura, mostra a linguagem verbal, as tipografias, os tipos de imagens de lifestyle e produtos usados nos materiais de comunicação além de todos os termos técnicos tradicionais que são passados para os parceiros de comunicação para que todos falem a mesma língua e consigam traduzir a imagem da Brastemp verbal e visualmente da mesma maneira”, relata em entrevista ao Mundo do Marketing.

A elaboração dos dois livros envolveu um diretor de criação, um diretor do projeto, três designers gráficos, um designer de produto e um núcleo de estratégia com duas pessoas. Segundo Roberta, o trabalho foi desenvolvido em parceria com a equipe da Multibrás (controladora da Brastemp) e levou um ano para ficar pronto. Isso porque a marca precisava mostrar com maior clareza o novo posicionamento.

Catalisador do valor da marca

A mudança estratégica, aliás, é um dos momentos mais indicados para a elaboração de um Brand Book. Foi assim com Gradiente no trabalho desenvolvido pela Ana Couto Branding & Design (ACDB), que também elaborou um livro. “Todos devem conhecer e entender os valores da marca”, ressalta Danilo Cid, Diretor de Design da ACDB. “Por isso o brand book é um grande otimizador de esforços e multiplicador do valor da marca”, diz ao Mundo do Marketing.

A construção do livro para Gradiente também envolve um trabalho intenso com a empresa e ficou pronto em oito meses. Segundo Danilo Cid, o Brand Book é instrumento de gestão de marca. “Não é só regras para aplicações, mas sim os atributos que direcionam como ela vai se comunicar, fala de experiência de marca, da personalidade e das estratégias”, informa.

A unificação do DNA da marca também é um bom motivo para a criação desses livros. A Packaging Design e Comunicação desenvolveu um manual para a Ziploc em que informa as diretrizes para garantir a correta aplicação nas embalagens de toda a América Latina. “Num projeto de identidade visual corporativa, o rigor na aplicação da marca é fundamental para garantir a comunicação dos valores da empresa”, garante Maria Luz Schneider, diretora de criação da Packaging Design e Comunicação.

com informações do Mundo do Marketing

o design nas aberturas de filmes e séries

A série Mad Men – muito Saul Bass!

A perfect Stranger de James Foley

Cassino de Martin Scorsese , este foi Saul Bass

The man with a golden arm de Otto Preminger – Outra do diretor de arte Saul Bass

A Via Láctea da designer Carla Caffé

 

continua…

Dzi buquis

Os livros para Moema Cavalcanti, uma das maiores designers de livro do país com opiniões de quem fez e faz a história do livro no Brasil e no mundo!

Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros.
Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever, inclusive, a sua própria história.
Bill Gates.

 

Os livros nos dão conselhos que os amigos não se atreveriam a nos dar.
Samuel Smiles

 

Meu primeiro livro foi o mapa do Brasil.
Heitor Villa-Lobos

 

Há livros de que apenas é preciso provar, outros têm de se devorar, outros, enfim, mas são poucos, que se tornam,
por assim dizer, tão indispensáveis que é preciso mastigar e digerir.
Francis Bacon

 

A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.
André Maurois

 

A vida ideal consiste em ter bons amigos, bons livros e uma consciência sonolenta.
Mark Twain

 

Livros são os mais silenciosos e constantes amigos,
os mais acessíveis e sábios conselheiros e os mais pacientes professores.
Charles W. Elliot

De três coisas precisa o homem para ser feliz: benção divina, livros e amigo.
Henri Lacordaire

 

Ler é melhor do que estudar.
Ziraldo

 

O mundo é um belo livro, mas com pouca utilidade para quem não sabe ler.
Carlo Goldoni

 

Nave melhor do que um livro, para viajar longe, não há.
Emily Dickinson

 

Os livros têm os mesmos inimigos que o homem:
o fogo, a umidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo.
Paul Valéry

 

 

Livros e solidão: eis o meu elemento.
Benjamin Franklin

Acho a televisão muito educativa. Todas as vezes que alguém
liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro.
Groucho Marx

 

Le livre d’éléphant est très joli.
O livro do elefante é um tijolinho.
Tradução livre do meu pai

 

O livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura.
Uma vez inventados, não podem ser aprimorados.
Umberto Eco

De uns tempos pra cá, uma certa inquietação me invade e a pergunta não cala:

 

Alguém, em sã consciência, trocaria todos os seus livros por um E-Book Reader?

 

Eu tenho cá minhas dúvidas:

Se dermos um livro de presente a um amigo, onde vamos escrever a dedicatória?
Onde vamos colar os ex-libris?
Podemos usar nossos lindos marcadores de página?
E as anotações e grifos que fazemos (a lápis) nas páginas quando lemos um verso encantador,
uma passagem que nos relembra algo, como faremos?
E o cheiro do papel, da cola, da tinta?
O que eu colocaria nas minhas estantes vazias: xampus, sabonetes, hidratantes ou açúcar, feijão, arroz e goiabada?

Outro dia cochilei na frente da TV (normal… acontece com todo mundo).
Acordei com a Bispa Sonia Hernandez dizendo:
– Jesuuuzzz é uma coisa quentchinha!

Desculpe D. Bispa, mas pra mim isso é melhor pra definir livro do que Jesús…

Estou me sentindo meio assim, ó:

 

 

Não sou louca de enfrentar o mundo e ser contra o livro eletrônico, mas só vou comprar um quando ele for quentinho e tiver cheiro de livro. 

Esse presentinho de hoje
é dedicado à minha amiga
Sonia Junqueira

Moema Cavalcanti
Imagens do Tio Gúgô

 

Fonte: http://www.agitprop.com.br

 

arcade fire by Alex Trochut

Poster do  designer e tipógrafo Alex Trochut para a banda Arcade Fire.

Material?  Jeans, bordado e alvejante. Luxo!

com informações da ABC Design.

lançamento da revista Eita! em SP

A revista pernambucana vem a Sampa mostrar o quão o design é fervido no PE!

Segue o release que recebi e confiram no dia 14.10!

As revistas pernambucanas Eita! e ReviSPA têm lançamento em São Paulo.

No próximo dia 14 de outubro, as novas edições das revistas Eita! e ReviSPA serãoapresentadas ao público paulistano. As duas publicações são editadas pela Secretariade Cultura / Fundação de Cultura Cidade do Recife-FCCR, através da GerênciaOperacional de Literatura e Editoração-GOLE e da Gerência Operacional de ArtesVisuais e Design respectivamente. O evento acontece na HQMIX, livraria especializadaem quadrinhos, ilustras, cartoon e na reflexão sobre as artes sequenciais emgeral.

Eita! Liberdade é a palavra que norteia o planejamento decada edição da revista Eita! Com a proposta de derrubaras fronteiras entre imagem e texto, a GOLE conta comum conselho editorial composto por profissionais dediversas áreas e convida um designer diferente parapensar cada número.

Apesar de ser uma publicaçãoinstitucional, o designer não tem um formato padrão aseguir e é livre para reinventar, o que cria uma expectativa.“O mais importante é que a Eita! interage com todasas linguagens artísticas e traduz o pensamento contemporâneo,o que se faz hoje. Escoa toda a produçãocontemporânea tanto na parte de Literatura quanto naparte de imagem, ilustração, fotografia e design” refleteHeloisa Arcoverde, gerente de Literatura e Editoração daPrefeitura do Recife.

Com design assinado por Guilherme Luigi e FelipePaulista, a Eita! chega à sua quarta edição com formatoinovador. São quatro cadernos sanfonados unidos poruma capa em forma de cinta. Espelho, Instável, Trela eAlumbramento: cada caderno explora um conceitotrazido pelas iniciais da revista que norteia a escolha dostextos e ilustrações. As páginas são marcadas não porunidades, mas por centímetros.A ideia de continuidade foi fundamental para a criação daEita!, desde as letras que se encontram para formar ainterjeição, passando pela metragem que percorre todosos cadernos, aos desenhos que passam de uma página aoutra. Sobre o processo criativo, Guilherme revela: “A ideia de fazer uma ilustraçãocomo se fosse um contínuo começou com a história do ‘telefone-sem-fio’, onde uminterfere no desenho feito pelo outro. A ilustração foi feita nos cadernos abertos,com os ilustradores juntos conversando, imaginando e desenhando sobre o papel jácom os textos impressos e só depois foi feita a digitalização e acrescentadas ascores”.Dois ilustradores – Henrique Koblitz e Célio Pontes – contribuíram à distância,mandando seus trabalhos antes, o que criou o texto básico para o trabalho colaborativo.

A partir daí, interferiram Gabriel Machado, MNH Santos, Felipe Paulista, DuiAguiar e Guilherme Luigi. Na Eita! também se encontra uma história em quadrinhos inédita de Greg. ReviSPA publicação vinculada ao SPA das Artes do Recife, a ReviSPA chegou ao sexto número em 2010. A revista é um instrumento para a divulgação do SPA, mastambém para o registro de ações e a avaliação dos caminhos traçados pelas artesvisuais no Recife contemporâneo. Com design gráfico assinado pela Zoludesign(Aurélio Velho e Luciana Calheiros) e coordenação editorial realizada pela pesquisadorae crítica de arte Ana Luisa Lima e pela jornalista Raiza Cavalcanti, a ReviSPA conta com o patrocínio do Edital Conexão Artes Visuais do Minc/ Funarte/ Petrobras2010.O SPA 2010 aconteceu de 12 a 19 de setembro com realização da Gerência Operacionalde Artes Visuais e Design da Secretaria de Cultura / Fundação de Cultura Cidade do Recife.

Serviço

Lançamento das revistas Eita! e ReviSPA em São PauloLocal: Livraria HQMIXPraça Franklin Roosevelt, 142 – Centro – São Paulo – SPHorário: 20hTelefone: (11) 3258 7740

Sugestões para entrevista

Guilherme Luigi – (81) 9804.4569Revista Eita!Heloisa Arcoverde – Gerente Operacional de Literatura e Editoração – Secretaria deCultura / FCCR(81) 9152.6347ReviSPAMárcio Almeida – Gerente Operacional de Artes Visuais e Design – Secretaria deCultura / FCCR(81) 9974.9197

Eu vou, CLARO!

em parceria com a indústria, jovens criadores democratizam o acesso a peças inovadoras

Singularidade na produção, importação e exportação são pontos fortes destacados dessa união.

Eles estão aí para contestar o dito de que os clássicos são insubstituíveis. Com todo respeito aos grandes criadores, claro. Afinal, foram as obras de pessoas como Le Corbusier, Eero Saarinen e Mies van der Rohe que, em parte, inspiraram esses jovens a escolher o design como profissão.

A estratégia? Conceber objetos que, a um só tempo, facilitem a execução de tarefas corriqueiras, embelezem ambientes e deem um toque de irreverência à casa, ao escritório e aos espaços de uso público. Sua produção não se restringe ao mobiliário e às lojas sofisticadas. Os portfólios têm, sim, peças fabricadas em pequena escala. Mas também exibem os frutos de parcerias com grandes indústrias, para as quais criam eletrodomésticos, portas, carrinhos de supermercado e até cabides. Ampliando o escopo de atuação, esses profissionais ajudam a democratizar o design. E as empresas a vender mais.

“De dois anos para cá cresceu muito a procura por peças únicas, com elementos diferenciados”, afirma Pedro Franco, de 32 anos, fundador da loja A Lot Of, em São Paulo, diretor de arte da fabricante de móveis Ronconi, no Rio Grande do Sul, e designer de peças premiadas. Para ele, esse aumento no interesse do consumidor – e, consequentemente, da indústria – foi influenciado pelo que chama de “vaporização dos clássicos”. Ele se refere à disseminação de móveis assinados, como a mesa Saarinem por exemplo, que tiveram seus preços reduzidos quando os direitos do autor caíram em domínio público.

Para Ademir Bueno, gerente de design e tendências da Tok&Stok, outro fator importante forçou essa aproximação entre as fabricantes tradicionais e os designers: a abertura do mercado para importação e o assédio das empresas estrangeiras que, especialmente após a crise econômica, buscam no Brasil uma nova fonte de faturamento. “Por isso, é fundamental que os profissionais brasileiros apurem o olhar para a viabilidade de produção de suas criações”, diz.

Projetar o verbo

Um caso bem-sucedido de viabilização de projetos em escala industrial é o Estúdio Nódesign, fundado em 2001 por quatro amigos que ainda estavam na faculdade. Leonardo Massarelli, Flávio Barão, Cândido Azeredo e Márcio Hulk Giannelli reuniam-se todas as tardes em uma sala emprestada para criar. Antes mesmo de conquistar o primeiro cliente, compunham briefings para exercitar a capacidade de criar soluções surpreendentes e inovadoras para necessidades específicas.

Quase dez anos depois, a lista de clientes tem nomes como Natura, Papaiz, Decameron Design e Tok & Stok. Como percorreram esse caminho em menos de 10 anos? “Para fugir da mesmice, buscamos projetar o verbo”, diz Massarelli, de 30 anos. “Não tentamos desenhar uma cadeira e sim o ato de sentar. É um jeito de se expandir os limites dos objetos que já existem.”

Exemplos? O cabide Quará. Em 2008, eles foram procurados por um fabricante de pregadores de roupas que queria expandir sua linha de produtos. Antes de rabiscar os primeiros esboços, os designers foram ouvir quem interessava: as donas de casa. A partir dos relatos de problemas de espaço nas lavanderias, tiveram a ideia de acoplar o prendedor de roupas a um cabide e, assim, facilitar o processo de secagem.

Outra evidência de que o método de trabalho do Nódesign é eficiente para transformar objetos triviais em peças inovadoras é a MaxDoor, porta desenvolvida para a construtora Max Haus. Ela vai além das funções básicas de segurança: tem um porta-cartas em forma de bolso, que é acessado por uma escotilha no lado externo; isolamento acústico, chave em forma de controle-remoto e campainha com toques de MP3 personalizados.

“Por princípio, nossos produtos são sempre multifuncionais”, diz Flávio Barão, de 32 anos. “Não queremos colocar objetos desnecessários no mundo, por isso, exploramos o maior número de possibilidades em cada um deles, chegando a interferir no uso final.”

Barão conta que essa lógica está sendo levada ao extremo na linha de móveis que eles planejam lançar no próximo mês de novembro. Composta por oito peças, ela foi projetada a partir de uma unidade principal, que seus criadores apelidaram de molécula. “A ideia é permitir que o consumidor monte sua versão do móvel a partir do número de moléculas e, em alguns casos, mexa no formato da peça pronta de acordo com a ocasião”, afirma.

Esta será a primeira linha oficial de mobiliário do Nódesign e, de certo modo, uma volta às origens. É que, nos primeiros anos de vida, o estúdio projetou poltronas e estantes – que foram produzidas em escala reduzidíssima para lojas como Benedixt e Zona D.

Em paralelo, os três sócios (Gianelli deixou o estúdio em 2008) abriram uma nova frente de atuação: o design de serviços. Uma amostra pode ser vista na Bienal Brasileira de Design, em cartaz até o dia 31 de outubro em Curitiba. Eles criaram para uma companhia aérea um sistema de organização de caronas para os passageiros de um mesmo voo. “O design também pode ser um intermediador de relações”, diz Massarelli.

Elogio à tradição

No final do ano passado, Fernando Oliveira, de 26 anos, e Saulo Szabó, de 27, passaram duas semanas na fazenda do pai de Fernando, em Jau, no interior de São Paulo. Sócios em um escritório de arquitetura – o Szabó e Oliveira -, eles supervisionavam a reforma do casarão-sede. Foi ali que nasceu a ideia de criar uma linha de móveis própria, utilizando técnicas tradicionais.

“Observamos o marceneiro da propriedade trabalhar a madeira antiga e decidimos casar o conhecimento dele com a nossa experiência de projetar móveis personalizados”, afirma Saulo. “A proposta fazer um elogio à tradição e dar uma cara atual para materiais que tivessem história.”

Para isso, puseram-se a pesquisar matérias-primas – além da madeira de demolição – que pudessem ser reutilizadas. “Soube de um apiário que queria se desfazer das caixas que acondicionavam os favos”, lembra Fernando. “Corri lá e comprei todo o lote.” Os recipientes deram origem à Coleção Mel, formada por mesa lateral e bar. “Mantivemos a cor verde original das caixas, que dá identidade à linha”, diz Saulo, confessando que guardou o primeiro exemplar do bar para si. “Não vendo por preço nenhum.”

A execução dos móveis foi confiada ao profissional que inspirou todo o processo, o marceneiro da fazenda, Fábio. O trio trabalhou rápido. Em menos de seis meses, tinham 27 peças prontas, todas à venda na A Lot Of. Hoje, há mais de 80 itens em processo confecção.

A Mesa Luz foi concebida a partir de sobras de pinus. Analisando o material, que seria descartado, os designers exploraram uma característica inusitada para a madeira: a transparência. E instalaram uma lâmpada na parte inferior da mesa, montada em sistema de encaixe, sem pregos. “Contrastada pelos veios do móvel, a luz branca assume a coloração vermelha”, destaca Saulo.

Leitores ávidos, os dois dedicaram uma de suas criações aos livros: a Mesa Robb. Feita com peças de madeira de demolição encaixadas e uma mini prateleira de MDF laqueado, ela tem pés inclinados, que permitem repousar o material de leitura sem o uso de marcador. “Gostamos de adicionar elementos lúdicos ao dia a dia com as nossas peças”, diz Saulo.

O processo de exploração também passou por um dos hobbies da mãe de Saulo, o crochê. A técnica foi escolhida para dar forma ao invólucro da Luminária Ponto. “Ela confeccionou as primeiras vinte peças”, conta Fernando, com um sorriso maroto. “Para as próximas, vamos trabalhar com uma ONG.

Bom, bonito, barato

Trabalhar o design com grandes restrições de custo sempre pautou o trabalho do estúdio Chelles & Hayashi, fundado em 1996 pelo casal Gustavo Chelles e Romy Hayashi, ambos com 42 anos.

“Quando começamos, a maior parte das indústrias não acreditava que o grande público brasileiro tinha interesse em pagar pelo design”, afirma Chelles. “Tínhamos de rebolar para criar obedecendo aos parâmetros de economia estabelecidos.”

Iniciar a carreira nesse cenário fez com que a dupla desenvolvesse uma característica pouco comum a estúdios de design: a de incluir no projeto de cada produto um estudo de métodos de fabricação e soluções técnicas que promovam a redução do custo final. “Para vencer a resistência que identificávamos nos engenheiros, passamos a adotar as mesmas ferramentas de trabalho dos departamentos industriais”, diz Chelles.

Um dos primeiros clientes da dupla foi a fabricante catarinense de eletrodomésticos Mueller, cuja linha de produtos é voltada principalmente à população de baixa renda. Foi um dos produtos desenvolvidos para a marca que rendeu à Chelles & Hayashi o prêmio mais importante da Europa: o iF Product Design Award em 2009. Trata-se da lavadora Superpop, criada para atender às necessidades de pessoas que moram em casas de até 40 metros quadrados. Para facilitar a embalagem e reduzir os custos de transporte , é vendida desmontada, e seu mecanismo interno permite lavar roupas com pouquíssima água.

“Outro elemento importante do nosso trabalho é a busca por mecanismos que ajudem a reduzir o impacto ambiental dos produtos que criamos”, diz Chelles. “Exploramos todas as possibilidades de redução do uso de energia, de água e de matéria-prima.”

Um dos resultados desta preocupação com a sustentabilidade é o tanquinho de roupas projetado para a Tigre. Os designers traçaram formas mais curvas e paredes mais finas para utilizar menos plástico em sua fabricação. Com a sobra do material, fizeram uma bacia para molho, que cabe na geladeira e também pode ser usado para guardar as latinhas de cerveja, por exemplo.

Essas funcionalidades extras são criadas para solucionar necessidades detectadas ao longo do processo de pesquisa que o estúdio conduz para cada projeto – e que não envolve os estudos realizados por institutos de pesquisa. Para entender melhor os hábitos e anseios de seu público-alvo, os profissionais da Chelles & Hayashi envolvidos em um determinado projeto vão a campo. “Passamos o dia em lojas observando o comportamento de compra, visitamos e fotografamos os problemas que as pessoas apontam em suas casas e voltamos ao escritório para debater as possíveis soluções”, conta Chelles.

Outro caso bacana derivado desse método de trabalho? Uma ducha, também desenvolvida para a Tigre. Eles incluíram na canopla do chuveiro um pequeno gancho para pendurar toalhas e escovas em banheiros cujas paredes não permitem a perfuração. “Nossa especialidade é essa: inovar racionalizando custos”, conclui Chelles.

O QUE DIZ O MERCADO

Ademir Bueno – gerente de design da tok&stok

Arrisque bastante e desenhe muito

Minha principal recomendação a jovens designers é: desenhem muito. No geral, desenha-se muito pouco, e isso limita a ousadia. É preciso arriscar, projetar em grande volume e, em paralelo, aproximar-se da indústria, entender os processos de fabricação, estudar alternativas de material – buscando sempre modos mais simples e baratos de tirar uma ideia do papel.

Pedro Franco – sócio da A Lot OF

Imprima forte personalidade à criação

Como designer, é preciso evitar ao máximo a sensação de déjà vu e abrir novos caminhos, explorar terrenos ainda intocados. Vivemos um momento muito propício, em que compradores do mundo todo valorizam trabalhos que não buscam só a alta tecnologia. Para aproveitá-lo é fundamental imprimir uma forte personalidade às criações. Outro ponto importante: não se preocupar demais com o mercado no exterior. Conquistá-lo é consequência de uma boa aceitação no mercado interno.

Saia do mundinho: estude as pessoas

Marcus Ferreira – PROPRIETÁRIO DA DECAMERON

Todo designer lê revistas especializadas e consulta livros de arquitetura. Elas são importantíssimas, mas incompletas. Nelas ninguém irá conseguir identificar necessidades não atendidas – que são a fonte mais preciosa para a inovação. Um bom designer tem de estudar as pessoas, entender seus hábitos e, a partir deles, pensar em produtos que os ajudem a ser mais felizes em suas casas, no escritório, na rua… São os objetos que devem se adaptar às pessoas e não o contrário. O que elas assistem? Com que frequência se casam ou separam? Como se divertem? É fundamental beber em outras fontes.

Reportagem de Camila Hessel, de O Estado de S. Paulo

dica sustentável de brindes e presentes para o final do ano

Chega essa época do ano, as empresas começam a correr atrás de brindes de final de ano. Na correria acabam escolhendo brindes que serão descartados quase que imediatamente quando chegam no cliente, por não serem interessantes ou óbvios demais.

O melhor brinde é aquele que a pessoa não tem coragem de jogar fora, de tão bom que ele é. Dessa forma a marca da sua empresa permanecerá por mais tempo com o seu cliente e por não ter sido descartado, não será gerado mais um resíduo.

A seguir algumas dicas de como escolher brindes melhores e mais sustentáveis:

Brindes multifuncionais

Escolha brindes que tenham mais de uma função. Onde, por exemplo, a própria embalagem seja o brinde. Um exemplo é a caixa de vinho que vira luminária.

Além de o vinho ser um presente tradicional dado aos executivos de empresas, mesmo após o seu consumo, ele provavelmente vai manter a luminária em seu escritório ou em sua casa e não vai se esquecer de quem deu.

Sacolas retornáveis

Nos últimos tempos as empresas querendo parecer mais ecológicas começaram a dar de brinde de natal as famosas “eco-bags” ou, como eu prefiro chamar, sacolas retornáveis. Atualmente recebemos tantas sacolas retornáveis que nem temos mais onde guardar e acabamos nos desfazendo. A melhor sacola retornável é aquela que é a mais prática, bonita e que dificilmente vamos esquecer em casa.

Um exemplo é a sacola Biobag, desenvolvida pelo DesfiacocO d.e.s.i.g.n, de Curitiba, e um dos selecionados da Bienal Brasileira de Design. As sacolas desenvolvidas por eles são práticas e funcionais. O formato leve e compacto facilita o carregamento da sacola na bolsa ou no porta-luvas do carro. Kits com mais de uma sacola possobilitam a separação das compras e permitem a melhor distribuição do peso.  O material (nylon) foi escolhido pela resistência, facilidade na limpeza e impermeabilidade.

Calendário

Um dos brindes mais comuns e que muitos acabam adotando é o calendário. Se ele for bonito, pode ser que ele seja escolhido pelo seu cliente para ficar na mesa dele durante um ano, mas certamente, em algum momento, ele será descartado. Que tal dar um calendário permanente?

ONGs e instituições de caridade

Aproveite essa época e ajude instituições comprando os brindes produzidos por eles. Escolha uma instituição em que acredite e que ofereça brindes criativos, duráveis ou feitos com materiais ambientalmente corretos.

Um exemplo são os produtos produzidos pelo Instituto Papel Solidário. Eles têm como finalidade conectar as associações sem fins lucrativos, os negócios sociais, as empresas sociais e os empreendimentos solidários associados para ampliar através do empreendedorismo e da inovação, os impactos e ganhos das ações que desenvolvem nas comunidades onde atuam.

Um dos produtos que eles fazem é o Kit Semente. No kit, o papel foi usado para transmitir a sua mensagem de final de ano contém sementes, que podem ser plantadas no vaso que vem no Kit e poderá permanecer por muito tempo na mesa de seu cliente.

Algumas dicas:

  • Escolha brindes multifuncionais
  • Conheça melhor o seu cliente antes de escolher o brinde
  • Utilize materiais ambientalmente corretos
  • Ajude instituições de caridade que produzem brindes criativos
  • Escolha brindes duráveis
  • Beleza é fundamental
  • Criatividade e originalidade fazem a diferença

Caso queiram mais ideias para desenvolver o seu Kit ou estão em dúvida se o brinde que escolheram é realmente sustentável, (ou até pedir um projeto original e personalizado pra sua marca) – contate serviço de consultoria de Elisa Quartim que ficarão felizes em ajudar.

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